sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sobre educação e Violência


Hoje, ao ler o desabafo de Vera Lucia Teixeira Fernandes, professora que leciona no ensino fundamental em Crateús – CE, no qual falava sobre sua desilusão em relação ao magistério, alem de sua desesperança em relação ao tratamento que o Estado Brasileiro vem dando ao tema neste Pais, fui levado a refletir sobre um problema que transcende o simples âmbito da educação, pois repercute, significativamente (e ela fala disso), na crescente violência que eclode, sobretudo dentro da camada da população que, numericamente, representa a maior parcela da população brasileira.

Analisando a educação no pais e o Estado de penúria em que se encontra o magistério (profissão das mais nobres e que sempre foi tão pouco valorizada), estamos mesmo num momento muito especial onde algo precisa ser reconstruído. Não foi apenas a educação tradicional que piorou e sim, houve demandas qualitativas em todos os sentidos baseadas numa nova realidade: um planeta globalizado. E se o Governo não der uma resposta satisfatória a isso, seremos um pais de segunda categoria por muitas décadas e, obviamente ninguém deseja isso. Ate porque o mercado de trabalho requer cada vez mais, pessoas mais e melhor qualificadas e em processo permanente de educação. Não tem saída, o Brasil vai ter que resolver isso ... e logo!

O magistério sempre foi mal remunerado, pouco valorizado e conseqüentemente pouco qualificado. Não e possível que os professores possam reinvestir em suas carreiras (como sempre será preciso) se não tem recursos pra fazer isso e o Estado também não faz os investimentos necessários. Mais uma vez, se o Estado não assumir o seu papel, quem perde será sempre o Brasil e os brasileiros, não importa de que classe social sejam.

Já a questão da violência, citada em grande parte do artigo da professora Vera, esse sim e um problema bem mais complicado de resolver. Essa questão sempre me faz lembrar o artigo que o Helio Pellegrino escreveu há décadas atrás onde ele falava do “pacto social”, derivado da teoria de Freud no seu “pacto civilizatório”. Ou seja, a sociedade estabelece os parâmetros da legalidade (leis) onde crime e punição estão basicamente bem delimitados. Para que isso seja aceito pelas pessoas elas têm uma espécie de compensação em cumprir a lei: “eu cumpro a lei e sou socialmente aceito e estou inserido no tecido social, gozando dos benefícios de assim estar” ...o contrario será a pessoa ser “marginal”, ou seja, ficar a margem da sociedade, perdendo com isso, “as benesses” de ser socialmente integrado e ter “seus direitos” garantidos pelas leis constituídas como direito a propriedade; educação; trabalho; saúde; etc. etc...

O que Helio Pelegrino colocou como uma espécie de guerra civil estava baseado no seguinte conceito: “o que eu ganho para cumprir as leis”, lembrando sempre que nossa natureza Animal nos diz que a lei da “selva” representa “tomar para mim o que meus instintos dizem ser meu”. Num ambiente social de tremendas desigualdades onde os que têm mais apresenta uma distancia abissal de quem tem menos ou nada tem, que espécie de compensação esta sendo dada aos já “marginalizados” cidadãos deste pais. Logo, todo esse processo de desigualdades que passa obviamente pela educação precária, mas também por inúmeras outras desigualdades, transgridem frontalmente o “pacto social” pelo qual cumprir as leis trás benefícios concretos para determinadas camadas da população, que assim, sente que nada tem a perder ficando na ilegalidade. Nesse processo, a própria “vida” o bem mais precioso de todos, fica banalizada.

Sem querer ser simplista, deixando de fora aspectos genéticos, vivenciais e educacionais, alem da flagrante desigualdade social a que são submetidas determinadas camadas de nossa sociedade brasileira, temos que admitir que as previsões do Helio Pelegrino, antes de serem proféticas, estavam profundamente calcadas num processo, em curso, que não sendo tratado como deveria pelo Estado Brasileiro, nos trouxe a esse estado de coisas: um processo de violência endêmico e de difícil solução.

Como o ônus desse tipo de política publica não convém a ninguém, nem aos Governos e nem a sociedade, torna-se iminente que possamos buscar as soluções necessárias para senão resolver num curto prazo, visto que uma solução caminha por um processo que certamente levara algumas décadas, pelo menos estancar essa sangria que nos deixa perplexos ao ver o noticiário de nosso dia a dia onde a violência, se apresenta cada vez mais e de forma progressiva, mais presente ao nosso redor... um risco real e imediato.

Mas, como também estamos na era da informação e dos processos de integração, democratização e distribuição de informação em rede, temos cada vez mais, individualmente, importância na busca de soluções que passam por: tomar consciência; elaborar possibilidades racionais; difundir informações e conclamar outras pessoas, em rede, o que certamente representa acender uma luz, e isso me parece bem melhor do que apenas “amaldiçoar a escuridão”.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os Construtores de Imagens.


Como dizia nosso poeta maior: “nada e’ agora…tudo e’ mais tarde. O agora e’ fotografar para revelar no futuro...” e ai, com todos os detalhes que, não captamos naquele momento em que fotografamos. Não por acaso, em nosso processo de “envelhecimento” físico, vamos perdendo a memória de curto prazo e fortalecendo, avivando, a de longo prazo...isso não pode ser algo casual.

Nesse momento de maturidade, buscamos em nosso “arquivo” os registros de incontáveis imagens que se tornam ainda mais vivas e repletas de nuances, o que certamente as reforçam; as retocam ...as revivem e nos fazem viver (re-viver).

Se “tudo e’ mais tarde”, a questão fundamental deve ser: você, como construtor de imagens, das imagens que vai revelar “no futuro”, o que de fato esta capturando e armazenando no seu “revelador”...

Claro que eu não pensava nisso quando tinha 20 anos, mas agora que já entrei na casa dos 50, assim como o Poeta quando escreveu sobre a “arte de fotografar”... Hoje, mais do que revelar as incontáveis imagens do meu passado e torná-las parte viva do meu presente sob a forma de memórias, sinto-me mais e mais responsável pelas imagens que estou construindo neste momento...e que ainda espero revelar.

A vida se torna urgente e tranqüila (paradoxo) com o passar dos anos... bem mais do que quanto a “temos” em abundancia, na juventude. Assim, cada momento vivido passa a ter uma importância visceral de construção... das imagens que imprimimos em nossa memória e as quais esperamos revelar, re-viver ou simplesmente re-vivenciar com todas as nuances da construção imperceptível e inconsciente da nossa obra.

Fico imaginando o turbilhão de imagens que são produzidas incessantemente por alguém como Oscar Niemeyer que, ao longo dos seus mais de 100 anos, qualifico como um dos grandes construtores de imagens do nosso tempo. Imagino a fulgurante beleza do seu “mural”, o qual revive intensamente num fluxo continuo de revelação.

Da mesma forma, fico imaginando quantas e quantas pessoas, ao longo de uma vida inteira, apresentam um mural pobre e desolador. Quão triste a maturidade de pessoas que não souberam (ou não aprenderam) construir imagens para as revelar de forma a re-viver...e assim, como Pablo Neruda, poder “confessar que viveram...”.

“Fotografar” representa, acima de tudo, o sentido de nossa caminhada, um legado transmitido a nos mesmos, e o mais importante: em vida. O que certamente considero mais importante do que as imagens que imprimo ou projeto nos outros (o que não quero dizer que também não seja importante).

Como construtores de imagens, somos os únicos responsáveis em imprimir a nossas vidas o brilho e a cor de que ela pode ser feita, assim como também depende da gente torná-la cinzenta e opaca (penso em muita gente que conheci ao longo de minha caminhada, que nunca se deram conta da armadilha que representava o foco no poder sobre tudo e sobre todos...imaginem que tipo de imagens construíram essas pessoas)...

O que eu quero lhes dizer neste momento e’ bem simples: assim como John Lennon nos conclamava a sermos “guerrilheiros mentais” eu os conclamo a serem construtores de imagens positivas. Assim, quando estas se revelarem, lhes será possível desfrutar o gozo da indescritível beleza da VIDA... que não e’ feita agora e sim, mais tarde...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

GUERRA DAS BUSCAS: LEIA-SE... PELA PUBLICIDADE CONTEXTUAL


Nos últimos dias temos sido bombardeados por campanhas de marketing e noticias relacionadas a uma “guerra” de mercado no monumental segmento de buscas na web, hoje dominado pela Google. Estou falando mais precisamente a entrada do sistema Wolfram (desenvolvido pelo cientista inglês Stephen Wolfram) e pelo anunciado lançamento de uma nova tecnologia desenvolvida pela Microsoft que atende pelo nome de Kumo.

Num ambiente onde proliferam Gigantescos projetos de serviços “gratuitos” como Buscas, redes sociais, compartilhamento de vídeos e por ai vai, a guerra que se anuncia e a guerra da publicidade contextual, cada vez mais personalizada e direta.

Mas isso acontece em meio a uma transição de hábitos e costumes que envolvem a sociedade como um todo, numa transição de analógica para digital e cuja extensão ainda nem conseguimos medir na integra.

Uma das coisas mais importantes da web representa a possibilidade de interagir e expandir conhecimento e experiências. Um dos maiores desafios e que as "redes sociais" ainda não resolveram (sequer arranham...) esta justamente relacionado ao fato de que as interações na maioria das vezes se apresentam bem superficiais e com pouca densidade para o potencial que "redes" representam. Um bom exemplo disso esta na Rede Plaxo ou no Facebook, dois dos que eu gosto mais: creio que não aproveitamos nem mesmo 1% do potencial de compartilhamento e geração de conhecimento que estas redes representam...mas estamos apenas no começo, se considerarmos que a chamada geração dos "nativos digitais" (pessoas que nasceram no inicio da década de 80) vai representar cerca de 80% da população do Planeta nos próximos 10 anos.
 
Já temos um ótimo exemplo desse potencial que e a Wikipédia, mas vem por ai um monte de projetos do tipo Wolfram, Kumo e quando não, a própria evolução do Google e de agentes como Microsoft pois estamos falando de software. Veja por exemplo, o que a livraria Saraiva esta fazendo com um aplicativo da Microsoft: finalmente, resolvidos alguns mitos da indústria do entretenimento, estamos caminhando a passos largas para um modelo de distribuição “virtual” de áudio e vídeo. Ou seja, alguns negócios conhecidos vão acabar e vão surgir num outro formato: mais ágil, qualitativo e barato.

Voltando a Guerra das Buscas...

O Google esta num outro patamar. Eles atingiram um posicionamento "mental" quando se trata de buscas, que eu acho muito difícil (não impossível, claro...não podemos nos esquecer que eles desbancaram o Yahoo!, que dominou o mercado de buscas ate fins da década de 90) de ser revertido. Recentemente vi um documentário sobre como o Google conduz os seus negócios e, acima de tudo, como ele trabalha as questões de incentivo ao "talento" (que inclusive não para de chegar, uma vez que eles recebem cerca de 700 mil currículos todos os anos, de gente absolutamente brilhante). Fiquei chocado de ver a maneira como eles lidam com a inovação e geração (nascimento, desenvolvimento e extinção de produtos) de soluções de forma continua.
 
Mais uma vez: Wolfram e Kumo (ou Bing) não têm a menor chance, hoje, de encarar o Google de frente. Na verdade a Microsoft ate tentou uma estratégia nesse sentido, na fracassada negociação de aquisição do Yahoo! ha alguns meses atrás.
 
Logo, tem que surgir ferramentas diferentes, ou seja, que fujam dos conceitos semânticos que tem norteado essas ferramentas e, que o Google revolucionou quando desenvolveu seu "algoritmo" especial capas de "ranquear" paginas, sendo este um dos principais diferenciais, mas um dentre os mais de 100 diferentes critérios de relevância que adota (e que muda com muita freqüência) em sua inteligência de buscas.
 
O Wolfram (que mais me parece estar desenvolvendo um "produto" de venda (a ser comprado pelo próprio Google ou Microsoft, se realmente for algo que valha a pena, o que ainda vai levar algum tempinho pra ser confirmado, se e que vai ser...) adota uma abordagem totalmente diferente, comumente chamada cientificamente de "neural" (inteligência artificial) que parte de uma base editorial mesmo onde um volume gigante de conhecimento estruturado (a ser alimentada e expandida) permite associações baseadas na "interpretação" das perguntas feitas pelos usuários do sistema, por um conjunto de ferramentas teoricamente “simples”. Sendo neural, o sistema “aprende” e se aprimora com o uso: isso ate parece uma versão moderna do All de 2001 uma odisséia no espaço (brincadeira...mas isso me veio a mente).
 
Lembro-me de ter conhecido algo nessa mesma linha ha cerca de 11 anos atrás: o nome era web Brain. Fiquei tão encantado que ate comprei o direito de uso (licença) que era pago. Bem, a tecnologia, embora genial e ao mesmo tempo simples, também baseada em "conexões neurais" não caiu nas graças do "povo". Eu ainda uso, mas certamente o "theBrain" não dominou o mundo e nem devera dominar...
 
Já o Wolfram e o Kumo têm tudo a provar enquanto ferramentas, mas uma espinhosa missão se o objetivo for posicionamento mental no monumental segmento de buscas (entenda-se: no gigantesco mercado de publicidade contextual).
 
Veremos...

domingo, 5 de abril de 2009

OS HABITANTES DE GAIA


Nos últimos 25 anos tenho estado cada vez mais preocupado com o que comumente chamamos de qualidade de vida no Planeta Terra. Evidente que isso não passa de mera redundância hoje, pois não imagino nenhum ser humano pensante e que tenha acesso às informações que não o esteja.

Ma o que me tira o sono algumas vezes, esta relacionado a questões que não nos fazemos no dia a dia. Claro que com o passar dos anos nos damos conta de que somos finitos e, não por acaso, a relação entre funerais e batizados, muda dramaticamente à medida que vamos atingindo a maturidade.

Claro que não quero fazer deste texto um “choratorio” ou lamentar a finititude da humanidade e da vida que, a cada dia, vemos passar mais veloz... e creiam, não se trata mais de uma questão de tempo e sim de velocidade mesmo, pois tudo parece estar ocorrendo bem mais rápido do que num passado não muito distante. Sem duvida, estamos vivendo nossas vidas de uma forma pouco romântica, meio sem poesia... na correria!

Lembro-me da letra da musica do Belchior (com Toquinho), chamada “pequeno perfil de um cidadão comum”, onde dizia:

“Era um cidadão comum
Como esses que se vê na rua.
Falava de negócios, ria,
Via show de mulher nua.
Vivia o dia e não o sol,
A noite e não a lua.”

...e fico incomodado com o fato de que estou contemplando menos por-de-sois; observando menos montanhas; curtindo menos flores e tudo aquilo que me faz amar, curtir e respeitar a natureza. Talvez seja disso que a maioria das pessoas ande acometida nesses loucos tempos e, por isso mesmo, estejamos destruindo tão rapidamente todas as espécies e o próprio ecossistema. Não deve ser possível valorizar ao que atribuímos, cada vez menos valor...

Mas estava pensando ca, com “os meus botões” quantas pessoas já teriam habitado Gaia, nossa casa, desde que nos entendemos por “gente”, ou seja, desde que surgiu em seu “colo” o que chamamos de “homo sapiens”. A pergunta que eu me fiz foi: quantos seres humanos como a gente teriam passado por nossa mãe Terra nos últimos 15.000 anos?

Instintivamente fui pro “meu amigo” Google e... surpresa! La estava um artigo do Fernando Reinach, meu ex-colega na .comDominio, projeto de DataCenter que compartilhamos no inicio dessa década. Um dia conto essa historia de como um grupo de “cientistas” da USP, com a participação do Fernando (também conhecido como um dos Pais do Projeto Genoma no Brasil), se juntou a um grupo de economistas (dos quais o Pérsio Arida, este o “Chairman” da Cia.) pra descolar alguns Milhões de Dólares com Banqueiros; Natura Capital; Votorantim Capital e outros, para construir um Data Center num momento em que se questionava a evolução da Internet no Brasil e no Mundo...

Mas voltando ao ponto central...

Reencontrei o Fernando escrevendo uma elucubração sobre minha especifica angustia e falando justamente sobre a quantidade acumulada de “viventes” nesse nosso sofrido Planeta... foi algo revelador!

Os números e as conclusões deixo pra vocês no texto que transcrevo a seguir, mas vale ressaltar algumas constatações que aprendi e sobre as quais realizei minhas inferências pessoais pra dizer que ESTAMOS VIVENDO MUITO MAIS TEMPO, se considerarmos que a 8.000 A.C. o homem vivia de 10 a 15 anos e que hoje a expectativa de vida subiu para praticamente 80 anos, mas QUE ESTAMOS VIVENDO MAL. Alem do fato de que os nascimentos por mil vem diminuindo dramaticamente ao longo dos séculos, o que nos leva a crer que estamos caminhando para uma realidade inexorável: estamos construindo um “mundo de idosos”.

Ora, se vamos ter cada vez mais idosos... com que qualidade e em que ambiente, estamos envelhecendo? Como os sete bilhões de almas que se estima, seremos em 2012, se nenhuma “Profecia Maia” nos exterminar, desfrutara de um ecossistema cada vez mais doentio e insalubre, lembrando que saúde não significa, necessariamente, a ausência de doenças e sim a qualidade com que vivemos?

Bem, leiam, tirem suas conclusões e quem sabe vamos criando essa “corrente” que pode nos ajudar a transformar “quantitativo” em “qualitativo”, ou seja, que a equação maturidade X qualidade ambiental X qualidade de vida possa ser modificada radicalmente.

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"Quantas almas existiriam nesse lugar se todos os mortos estivessem lá?"

Fernando Reinach é biólogo (fernando@reinach.com). Artigo publicado em "O Estado de SP":

Na serra de Caraguatatuba senti pela primeira vez o peso de ser Homo sapiens. Quando subíamos, meu pai parava em Paraibuna para comemorar que o DKW não havia fervido e alimentar os filhos. Foi com uma calabresa na mão que vi a frase no portão do cemitério: "Nós que aqui estamos por vós esperamos." Com 8 anos deixei o mundo animal, onde não
há consciência da morte, e me tornei humano, eternamente esperando morrer. Anteontem, ao passar por Paraibuna, lembrei de ficar impressionado com a imagem dos mortos esperando pelos vivos. Quantas almas existiriam nesse lugar se todos os mortos estivessem lá?

É um problema que merece um "back of the envelope calculation". Fazer cálculos nas "costas de um envelope" é uma das tradições da comunidade cientifica. No afã de pôr as idéias no papel, muitas descobertas foram rabiscadas em envelopes e guardanapos. Pena que nas escolas a necessidade de "resolver o problema" não deixa espaço para fazer
contas para satisfazer a curiosidade.

Parei para uma calabresa no Fazendão. Em guardanapos, tentei calcular quantas pessoas habitaram o planeta nos últimos 15 mil anos. Estimei a população da Terra a cada mil anos, lembrando que na época de Cristo não éramos 100 milhões, e hoje, mais de 6 bilhões. Imaginando que existem quatro ou cinco gerações por século, concluí que viveram no
planeta entre 30 e 90 bilhões de humanos.

A felicidade de saber que 10% das almas que passaram por aqui estão vivas durou o tempo de acessar o Google. Em 2002, Carl Haub fez de maneira quase científica a mesma conta.

Sobrou o prazer de descobrir que minha conta no guardanapo não estava tão errada. Haub chegou a 106 bilhões. Em 2002, postulou que 6% das almas viviam. Hoje faz mais sentido colocar na maternidade de Paraibuna a placa "Nós que aqui estamos (os vivos) por vós esperamos (crianças ainda por nascer)". Talvez isso nos leve a calcular quantos
humanos passarão pelo planeta antes da extinção do Homo sapiens.

Mais informações: How Many People Have Ever Lived on Earth?
(O Estado de SP, 15/1)


terça-feira, 10 de março de 2009

O EXECUTIVO GLOBAL NA PRATICA


Quando no primeiro artigo sobre o ambiente que determinou o surgimento de um novo perfil de profissionais, ditos Globais, levamos em consideração não apenas o ritmo acelerado das mudanças, mas acima de tudo, que a coexistência e interação multicultural ao redor do planeta, determinaram o que poderíamos chamar de um novo “estado de coisas”.

Não por acaso, um dos principais atributos do perfil de um EXECUTIVO GLOBAL, representa o seu caráter integracionista a partir do qual e dado a ele a capacidade de transitar harmonicamente pela pluralidade que se tornaram empresas e mercados.

O “campo de batalha” do marketing continua a ser a “mente” do cliente sendo, portanto, como diriam Al Ries e Jack Trout em seu consagrado Best seller "As 22 consagradas leis do Marketing", uma “guerra de percepções”. Imagine então, essa “guerra” de percepções ocorrendo num mercado atemporal e multi-espacial onde o choque de culturas tão diversas determina um grau de flexibilidade e conhecimento sem precedentes na historia da humanidade.

Mais ainda, o primeiro “cliente” da empresa tem que ser obrigatoriamente seu “empregado”, hoje chamado de colaborador. Logo, os executivos atuais têm dois “mercados” desafiadores a conquistar: o de seus colaboradores em primeira instancia e depois o mercado consumidor dos seus produtos e serviços.

Se imaginarmos que a fidelidade do cliente representa uma “meta defendida pelo goleiro que joga na seleção”, como dizia a canção, temos que partir da consciência que o processo de fidelização representa um desafio diário onde o jogo e jogado nesses dois importantes campos.

Na verdade, quando falamos em clientes internos e externos, estamos cada vez mais próximos de estabelecer quase que uma simbiose entre os dois. Ou seja, bem sucedidas hoje, são as empresas que possuem executivos que são capazes de tornar cada vez mais congruentes os interesses de clientes internos e externos. Pois que cada vez melhores processos de fidelização, propiciam que os clientes participem ativamente da engenharia de produtos e serviços das empresas, dentre outras importantes contribuições (como posicionei no meu artigo "Empresas na Velocidade do Pensamento".


Nesse contexto, os executivos passaram (na verdade estão passando) pelo que poderíamos chamar, desculpem-me o termo, por um processo de “reengenharia” do perfil do executivo em tempos de competição multiambiental e policultural. Depois da chamada “era dos especialistas” que sucedeu a “era dos generalistas” vivemos hoje uma espécie de fusão de ambas, no que podemos chamar de “a era dos multiespecialistas generalistas” (também achei horrível o termo!), mas com a determinação de atributos de perfil totalmente diverso de tudo que já conhecemos nos últimos 100 anos.


Dias atrás, quando discutia o tema com minha amiga Cristina Folli (empresaria diretora da Idecaph - Instituto de Desenvolvimento do Capital Humano, ela sim, uma especialista nesse assunto, me dizia da forma bem humorada que lhe e peculiar, que o EXECUTIGO DE PERFIL GLOBAL, deveria ser o Executivo PLOC (isso mesmo, igual ao chiclete...rsss.) Dizia ela:


No cenário atual, ser bem sucedido como executivo implica em desempenhar simultaneamente as funções de Planejamento, Liderança, Organização e Controle

. Simples assim: Executivos PLOC. Chicletes!

Mastigáveis e doces até certo ponto.


Resilientes: mudam de forma e ajustam-se rapidamente aos novos padrões.

Você pode até fazer bola com eles. Mas se passar do ponto explodem.


No Planejamento deverão estabelecer estratégias, definir metas e criar planos para integrar atividades.


Na Liderança gerenciam conflitos, dirigem, coordenam e motivam pessoas estimulando os resultados através delas.


Organizam e gerenciam a estrutura da equipe, distribuindo e agrupando tarefas entre áreas e pessoas, delegando tarefas e autoridade sempre que necessário.


Controlam o desempenho monitorando indicadores, acompanhando as metas estabelecidas e coordenado a retomada quando há desvios nessas metas.


Dentre os principais papéis a serem desempenhados pelos Executivos Globais, encontram-se:


- O Decisor: a quem compete empreender, gerenciar turbulências, alocar recursos e negociar.


- O Comunicador: aquele que monitora os acontecimentos, dissemina informações e age como porta voz das necessidades de sua equipe,


- O Catalisador: que conduz a equipe na direção do objetivo comum e, na forma de figura de proa, lidera e liga as partes para formar o todo.


Finalmente, completa-se a figura do Executivo Global com uma boa dose de conhecimentos técnicos e específicos da área ou organização que este representa.


Desenvolver uma equipe de alto desempenho passa, inicialmente, pelo reconhecimento dos eventuais gaps no conjunto de papéis, funções e habilidades apresentados pelo executivo que a comanda.”


Assim, o EXECUTIVO GLOBAL representa um ser multifacetado (na verdade multi-especializado e generalista, como falamos, num grau de profundidade jamais visto em nenhuma outra época).


E para que esse tais atributos possam emergir num executivo, alguns pré-requisitos são básicos e determinantes:


Humildade para desaprender, reaprender e aprender:


Essa característica representa um atributo que bem foi descrito por Mario Sergio Cortella em seu livro “Qual e a tua obra” onde ele enfatiza a necessidade do executivo se livrar da “arrogância” do “saber tudo” e, ao contrario, que prega que o não saber tudo de tudo representa o ponto de partida para desconstruir e reconstruir o saber do nosso tempo onde tudo ou parte das “verdades” conhecidas, principalmente as relacionadas a mercados e comportamentos de consumo, em síntese, do próprio comportamento humano, estão em movimento e mutacao.


Capacidade para assumir riscos


Podemos dizer que os executivos globais vivem “no fio da navalha”. Não que tenha sido diferente nas ultimas décadas, mas hoje, acima de tudo e diferentemente de outras épocas e dados os processos acelerados de mudanças, o risco maior esta em ficar “parado”, ou seja, não correr riscos torna-se bem mais arriscado para um negocio do que arriscar.


Claro que os riscos devem ser calculados e, na medida do possível, minimizados pelo conhecimento e pelo domínio das informações estratégicas que impactam nas ações de risco, como por exemplo, lançar um novo produto bem diferente do que existe no mercado; assumir uma divida em função de um novo projeto e assim por diante. Nesse aspecto, uma forma importante de minimizar os riscos que um executivo esta e estará de agora em diante submetido esta em:


Conhecer e valorizar as diferenças de sua equipe


Um pré-requisito para o sucesso de um negocio esta em:


· Estabelecer critérios e metodologias que permitam determinar e formalizar as características básicas de cada uma das funções contidas na organização;

· Detectar dentre os colaboradores, as características e atributos que permitem que, não apenas o potencial de cada um seja bem aproveitado como também determinar de que formas as diferenças, em geral complementares, podem ser convertidas em vantagem competitiva.


Somente através do pleno conhecimento de tais atributos e da construção de equipes multidisciplinares de alto desempenho, onde as diferenças fortalecem o todo, sera possível assumir posições de risco calculado, aqueles necessários que evitam a “paralisia organizacional”.


Nesse sentido, existem recursos capazes de apoiar projetos de formação e gerenciamento de perfis adequando-os aos objetivos estratégicos e operacionais das empresas. Um desses recursos, por exemplo, e o PI (Predictive Índex) oferecido no Brasil pela Praendex Brasil.


Dizer não a condutas Workaholics


Na década de 80 e 90 um dos principais atributos dos executivos era aquele que determinava jornadas intermináveis de trabalho, que alias, mais se assemelhavam a uma espécie de compulsão pelo trabalho e na verdade, determinavam das duas uma:


· Ou o executivo era um péssimo administrador, incapaz de formar equipes e delegar ou;

· Eram pessoas anti-sociais que buscavam de uma forma escapista fugir do convívio da família e dos “amigos” que na verdade nem tinham...


Esses executivos morreram de infarto ou de cirrose hepática antes mesmo de completar 60 anos ou sobreviveram, se aposentaram e viram suas vidas perder o sentido... mas o fato e que não teriam a menor chance de sobreviver no século XXI onde integração e interação social são determinantes.


O executivo Global de hoje tem vida própria fora da empresa; vive a família; faz exercícios físicos; busca dietas equilibradas; tem vida social; hobbies; tem o habito da leitura e acesso multimeios; vivencia a cultura; participa de ações beneficentes e, acima de tudo, se preocupa com a saúde do planeta.

Vejam, há quem possa dizer que tracei o perfil do Papa João Paulo II, mas pense bem. Quem são os executivos que estão se dando bem hoje...


Por exemplo, qualquer executivo que não contemple ações que associam as atividades organizacionais de sua empresa aos cuidados de preservação do meio ambiente, certamente estara levando sua empresa para o “buraco” num futuro não muito distante...


“Antever o futuro”


Todas as mudanças grandes ou pequenas, antes de se revelarem para todos os “mortais” apresentam indícios de que irão ocorrer. Para um observador astuto e bem preparado tais sinais são contundentes, o chamado “caminho das pedras”!.


Isso nos leva a mais um importante atributo, talvez um dos mais importantes pois e ele que permite que os executivos possam assumir riscos sem comprometer a segurança do negócio ao mesmo tempo sem sofrer as ameaças da imobilidade, que num certo sentido são um risco ainda maior, como foi dito.

Essa necessidade faz com que o executivo seja um eterno pesquisador de tendências. E para que isso seja possivel, processualmente ele deve estabelecer como praticas corrente:


· Duvidar do seu próprio conhecimento;

· Manter um dialogo aberto com seus colaboradores;

· Estabelecer relacionamentos em rede com pessoas relacionadas;

· Criar e alimentar uma rede de “canais de conteúdo” relacionados;

· Estar sempre atento aos movimentos dos concorrentes;

· Enxergar como concorrentes empresas que hoje não são, mas poderão ser num futuro próximo;

· Duvidar permanentemente do sucesso de hoje se repetir no futuro com base nas mesmas premissas de hoje.


Afinal, a premissa básica para que um negocio fracasse e que ele tenha um relativo sucesso hoje. Como dizia uma frase que ouvi certa vez “o chão anda para trás”!


Bem, uma vez discutido o perfil e os atributos do EXECUTIVO GLOBAL, fruto de uma nova ordem competitiva mundial, creio que se faz necessário discutir que equipes um executivo deve formar para enfrentar essa nova realidade. Assim, estaremos abordando num próximo artigo, o que hoje chamamos de equipes de alto desempenho, onde o envolvimento e participação desses novos EXECUTIVOS serão determinantes.